História de Registro
Ciclo do ouro
O nascimento do povoado de Registro está relacionado à procura de ouro por meio de vias fluviais no rio Ribeira de Iguape. As primeiras jazidas de ouro do Brasil foram descobertas na região do Médio Ribeira no século XVII. Durante este ciclo do ouro, o povoamento avançou para o interior, subindo o curso do Rio Ribeira de Iguape. O ouro de lavagem na sub-bacia do Alto Ribeira, garimpado em Xiririca (atual Eldorado) nos rios Pedro Cubas, Taquari e afluentes, e em Sete Barras nos rios Etá, Quilombo e Ipiranga (entre outros) era transportado em canoas e fiscalizado no porto fluvial adjunto à casa do Fisco à margem direita do rio Ribeira de Iguape nas terras da vila de Nossa Senhora das Neves de Iguape (localizada no porto marítimo que originou a atual cidade de Iguape). O povoado que habitava o porto de registro do ouro originou a sede do atual Município de Registro. Todas as mercadorias eram revistadas e registradas por um agente de Portugal para cobrar o dízimo da Coroa Portuguesa. Por ser o centro do registro do ouro que ia para Portugal e articulador da produção que viajava de Iporanga até os navios do antigo porto de Iguape, ficou conhecido com o nome Porto de Registro de Ouro. Periodicamente o quinto era enviado à Casa da Moeda (ou Casa dos Contos) na vila, onde era fundido e cunhado. A exploração do mineral no Vale do Ribeira entrou em decadência com a exploração indiscriminada e com a descoberta de jazidas de ouro nas Minas Gerais e em Goiás.
Imigração Japonesa
Em 8 de março de 1912 uma assembleia paulista selou contrato de doação de 50 mil hectares de terra não-cultivada de propriedade do Estado na região de Iguape, sem ônus, ao Tōkyō Syndicate (Sindicato Tóquio), que a repassou a famílias que se disporiam a emigrar do Japão e a radicar-se definitivamente no Brasil. Em março de 1913 foi constituída a empresa de colonização Brasil Takushoku Kabushiki Kaisha (Sociedade Colonizadora do Brasil/BTKK), que sucedeu o Sindicato Tóquio neste contrato de assentamento. Após fundar a Colônia Iguape, em 1919 a BTKK sofreu fusão com a Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (Companhia Ultramarina de Empreendimentos S. A./KKKK). Filial da Companhia Imperial Japonesa de Imigração, a KKKK atuou de 1912 a 1937 na gestão e na infraestrutura das colônias de japoneses em diversos países. Foi responsável pelo estabelecimento de mais de 450 famílias na colônia de Registro, onde foi autorizada a funcionar a partir de 1918 com sede no Casarão do Porto. O primeiro ingresso de colonos japoneses em Registro ocorreu em 1917 (quatro famílias). As primeiras 30 famílias chegaram ao povoado da Colônia Iguape em novembro de 1913. Em 1917, o número de famílias japonesas já chegava a 1.060, totalizando 5.121 pessoas na Colônia, a maioria em Registro.
Neste período Registro tornou-se o maior produtor de arroz do Estado de São Paulo e possuía instalações de armazenamento e beneficiamento do cereal, produzido por cultura irrigada. Além do arroz, os imigrantes japoneses também estão relacionados com o cultivo do chá e do junco, importantes culturas econômicas de Registro.
Em 1919 o imigrante Torazo Okamoto chegou a Registro. Três anos depois, obteve sementes de chá chinês (Thea assamica Mast) em São Paulo e começou a plantação, visando o consumidor japonês de chá verde. Em 1934, com o objetivo de produzir chá preto para o consumidor brasileiro, Torazo trouxe do Ceilão (atual Sri Lanka) algumas sementes de chá-da-índia da variedade assam. As mudas conseguidas por Torazo foram matrizes do chá ainda produzido em Registro.
Em 1931 o imigrante Shigeru Yoshimura trouxe algumas mudas de Juncus deeipens Nakai de Okayama (região de Chugoku, na ilha de Honshu, no Japão) para Registro. Três anos depois trouxe o tear apropriado para a confecção de esteiras. Devido à grande produção, instalou-se em 1955 a primeira e única fábrica da América Latina que confecciona o tatame artesanal (tipo de colchonete utilizado na prática de artes marciais).
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